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quarta-feira, 16 de março de 2011

A parte de não dominar uma arte...


Modéstia a parte, eu sei muitas coisas, a maioria das coisas que eu sei são absolutamente inúteis como o nome de todos os filhos da Baby do Brasil (ex-Consuelo), a capital da Nicaragua (que é Manágua) ou o que é um palíndromo e tantas milhares de coisas sem a menor utilidade, mas quando bem aplicadas dão a impressão de que eu sou bastante erudita.
Por outro lado, eu não sei fazer como coisas simples como quebrar um ovo, andar de bicicleta ou paquerar. Até agora, não saber quebrar um ovo ou andar de bicicleta não me fez muita falta, porém, não saber paquerar é um problema.
Sabe-se lá porque, eu entendo perfeitamente conceitos filosóficos bem difíceis, mas não sou capaz de decifrar uma indireta de um moço interessado e me imbecilizo de vergonha diante de uma direta. Enfim, um desastre absoluto que coloca qualquer cidadão minimamente são para correr.
Entretanto, como nada está perdido, eu tenho muitos bons amigos, amigos irmãos que me dão uma ajuda e tanto, quando conversam comigo, os meus amigos fazem parecer que os homens são as criaturas mais simples possíveis e às vezes eu até acredito, mas uma coisa que eu percebi sozinha, sem a ajuda dos meus docinhos foi que não importa o quão hábil você seja na arte da conquista, homem com o coração ocupado e não-correspondido, é impenetrável...

sábado, 12 de março de 2011

Por Gentileza!


                Ontem o Ivan estava comentando que ele fez um teste. Todos os dias, ele passava de carro em frente a um ponto de ônibus e dava bom dia a um senhor que nunca respondia. Até que um dia ele resolveu mandar o senhor tomar naquele lugar e de pronto o senhor devolveu o insulto na mesma medida.
                É claro que o mundo de hoje é muito mais corrido e impessoal que o mundo da juventude do meu nonno, mas até que ponto essa impessoalidade deixa as pessoas tão preparadas para o insulto e tão cegas para as coisas gentis?
                Ser gentil é, em minha opinião, a capacidade humana mais elevada. Mãe de todos os bons sentimentos e das boas ações, a gentileza é a forma mais elementar de solidariedade, penso que foi graças à gentileza que os primeiros humanos sobreviveram a um ambiente hostil e graças a ela que continuamos sobrevivendo.
                A principal característica da gentileza é o desinteresse, se é gentil por gosto pessoal, crença ou convicção, nunca esperando nada em troca, porque principalmente nesse mundo imediatista, atribulado e desmedidamente ambicioso, muita gente não sabe receber uma gentileza, tampouco passá-la adiante.
                Ser gentil é muito fácil, é só levar a cabo as regras elementares de civilidade e está feito, porém, receber uma gentileza exige um pouco mais de tato. Às vezes se espera tanto da vida, os problemas são tão grandes e assustadores que impedem de ver os pequenos atos de pessoas que você conhece ou não que por serem desinteressados e terem a intenção de aliviar o seu dia são extremamente valiosos.          
                Pode reparar, por pior que seja o seu dia, por piores que sejam as pessoas com as quais você cruza, sempre tem alguém fazendo uma pequena coisa como te dar passagem, oferecendo para te ajudar com as sacolas, dando um bom dia sincero, pedindo desculpas por ter te esbarrado. Para que o seu dia seja melhor, depende do valor que você confere a essas boas ações. Quando se acredita nelas, tende a reproduzi-las numa enorme cadeia, justificando aquilo que o poeta gentileza disse: “Gentileza gera gentileza.”  
                E, por em gentileza. Tem um programa no Multishow chamado De cara limpa, o apresentador, Fernando Caruso, procura uns lugares inusitados para contar piada e fazer um humor respeitoso.  Olha que interessante que ele fez no metrô de SP. 


terça-feira, 8 de março de 2011

Já ouviu Richard Boná?

Hoje eu acordei com vontade de ver o DVD Acústico MTV do Lenine e, assistindo, eu me lembrei de um cantor fantástico que eu havia esquecido: Richard Boná! Ele nasceu no Camarões, vive na Europa há muitos anos e na verdade se chama Bona Yayumayalolo Pinder. 
Um ritmo incrível, um timbre lindo e uma sonoridade especial.
Já ouviu?
Vale a pena...


Não disse? Como eu sei que você gostou, tem mais um...


sexta-feira, 4 de março de 2011

O ciúme nos tempos de Momo

É, carnaval é reconhecidamente a festa da carne, ninguém é de ninguém, todo mundo é do mundo e já viu o fim da história. Relacionamentos sólidos terminando, namoros instantâneos sob às bênçãos de Momo surgindo e em meio a tudo isso, um sentimento muito do indesejável. O ciúme.
Não vou me estender aqui sobre as causas biopsicossociais desse desagradável sentimento ao qual todos os humanos mais cedo ou mais tarde são acometidos, nem a Primeira dama estadunidense, bonita, inteligente e altiva resistiu, conforme o vídeo onde se pode ver a olhadela mal intencionada do Mr. President para o traseiro da exuberante artista. Só sei que não há como ver o vídeo e não sentir o que a Michelle sentiu...


OLHA, RAFO!!!

Todos os dias eu espero o meu filhote Rafo para ir embora do trabalho e andarmos juntinhos no longo caminho da empresa até a rua. Esses dias, quando saímos do prédio, eu dei de cara com umas flores amarelas, que eu nunca tinha reparado, aí, do alto da minha efusividade eu: OLHA, RAFO!!! QUE FLORES AMARELAS LINDAS!!! A Ana Cláudia, que vinha com o namorado logo atrás da gente , perguntou, bem humoradamente se eu estava bem.
Andamos mais um poquinho, até o banco, o Rafo tinha de pagar umas contas e enquanto ele pagava eu fiquei prestando atenção na televisãozinha que tinha lá, quando de repente, apareceu o nome do Gûs para o Brasil inteiro ver que era aniversário dele e, novamente não me contive, exclamando: OLHA, RAFO!!! O NOME DO GÛS PARA O BRASIL INTEIRO VER!!!
Após o Rafo ter realizado suas operações bancárias, seguimos o nosso caminho e novamente eu me espantei: OLHA, RAFO!!! QUE LINDO!!! Eram as luzes da rua e da lua colorindo as fissuras da lona do toldo que foram causadas pelos granizos da chuva. Durante o dia aquela lona rasgada é horrível, mas a noite, com aquelas luzes, ficou tão bonito que até tiramos fotos.
Antes da conversa que tive hoje com o Fernando, eu achava que meu comportamento era infantil e inapropriado, mas agora eu percebi que é poesia. Muito em breve meu filhote vai seguir o seu caminho, vai fazer o que gosta e exercer a profissão para a qual está se preparando. Eu tenho muito orgulho dele, por tudo o que ele é, pelo que ele pode ser e fico feliz que ele esteja crescendo. Mas, não posso deixar de dizer que sem ele meu caminho diário terá um pouco menos de poesia.
E falando em poesia... Uma das mais belas canções do Juan Luis Guerra...




quarta-feira, 2 de março de 2011

A cantora e a cerveja

O fato da eterna cantora teen ser a garota propaganda da cerveja polêmica:

(    ) aumentou o salário

(    ) diminuiu as enchentes na sua cidade

(    ) diminuiu os bolsões de pobreza

(    ) melhorou a educação pública

(    ) melhorou o transporte público

(    ) melhorou o trânsito

(    ) melhorou a qualidade da saúde

(    ) fez com que você fosse promovido

(    ) fez com que aquele rolo enrolado desenrolasse

(    ) fez com que o Kadafi fosse deposto num processo pacífico

( X ) Não mudou em nada a minha vida, a do país e a do mundo

Bem, se asssim como eu, você assinalou a última alternativa, você assim como eu deve estar se perguntando: Por que tantas pessoas perdem tempo e energia para falar de um assunto tão sem importância?
Pense comigo: quando você não gosta de um assunto, um programa de TV, uma pessoa ou um artista que não causa o menor impacto na sua vida ou no mundo e mesmo assim você gasta a sua energia para falar mal, você está produzindo um efeito contrário. No caso da cantora, você está apenas e tão somente ajudando os publicitários, a moçoila e a cervejaria a divulgarem a marca e ganharem dinheiros ás suas custas. Afinal de contas, a propaganda e a alma do negócio.
Proponho o seguinte: que tal usarmos nossa indignação para algo que realmente importa? Ou então, divulgarmos o que merece.

P.S.: Mudando de pato para ganso, adoro isso


terça-feira, 1 de março de 2011

Beleza acima de todas as coisas!

Eu gosto muito do que é belo independente de qualquer questão ideológica, lógica, estética, para mim vale o que é belo. Nunca fiz questão de esconder o meu posicionamento religioso, sou agnóstica, mas gostava muito de ler os textos do Don Luciano Mendes de Almeida aos sábados na Folha de São Paulo. Nem sempre eu concordava com ele, mas não havia como não se encantar com a forma doce e sincera que ele escrevia sobre assuntos cotidianos.
Esses dias, organizando os meus arquivos eu encontrei um texto muito bonito que o cardeal escreveu para a sua irmã quando do falecimento dela e mesmo não acreditando nas mesmas coisas que ele, eu acredito no que é belo e me sinto reconfortada quando lembro da morte de alguém importante, por isso, achei bacana dividir com os meus amigos visitantes.




LUCIANO MENDES DE ALMEIDA

Deus chamou minha irmã

Elisa Maria , minha irmã, partiu para o céu há dois dias.
Estava para completar 74 anos. Vida bela de quem só fez o bem. Todos passamos por situações difíceis quando pessoas queridas são chamadas por Deus. Como sacerdote, considero entre os ministérios sagrados, um dos mais importantes, estar ao lado dos que vão comparecer diante de Deus. São momentos de fé, de solidariedade, de sofrimento e de conforto fraterno. Recordo a ida para Deus de muitos parentes e amigos e a grande edificação espiritual de pessoas cuja vida santa se revelou ainda mais no fim da existência terrena e na hora da morte. Nessa ocasião, muitas vezes manifesta-se a beleza da fé, a confiança em Deus e a certeza da vida eterna e feliz.
Para os que têm a graça de conhecer as promessas da Ressurreição de Jesus, o acontecimento da morte adquire sua plena significação. É a passagem desta vida terrena para a Casa do Pai. Jesus garantiu aos discípulos que ia preparar um lugar a seu lado, onde seriam para sempre felizes. O mistério da Ressurreição ilumina a existência do cristão e faz com que cada passo da vida tenha no horizonte a esperança do encontro amoroso com Deus.
Tudo isso participa de nossa vida à luz do Evangelho e muito nos consola. São Paulo lembra aos cristãos que devem, pelo testemunho de fé, confortar os demais manifestando-lhes a luz da Ressurreição de Cristo.
Agradeço a Deus ter podido permanecer com minha irmã Elisa ao longo desses últimos dias e tê-la acompanhado no momento em que Deus a chamou para o prêmio eterno. Passou por sofrimentos de uma doença, parece congênita, que limitou aos poucos os seus movimentos e até a posse de sua memória e consciência. Sua comunicação reduziu-se cada vez mais. Durante os últimos meses, não conseguia mais falar. Limitava-se a abrir os olhos. Todos aguardávamos um sinal, pequeno que fosse, de sua compreensão. Mas não conseguia responder aos estímulos. Foi assim que Deus a convidou para deixar esta vida. Agora ela não sofre mais. Está em paz.
Minha irmã viveu a fé que recebeu de minha mãe. Estudiosa, distinguiu-se pelos resultados obtidos no Colégio Assunção no Rio de Janeiro. Formou-se em geografia, enfermagem e turismo. Trabalhou com afinco no IBGE e lecionou com paixão durante anos. Não se casou. Amava a vida e viajar pelo mundo. Sem medo, enfrentava distâncias e lugares desconhecidos. Guardava tudo na memória: paisagens e museus. Ao longo das viagens, louvava a Deus na beleza da natureza. Generosa, cuidou de meus pais e de outros parentes na hora da doença. Acompanhou-me dia e noite durante meses quando sofri o acidente em 1990. Sempre que podia, auxiliava os pobres com discrição e prodigalidade. Os três anos finais confirmaram sua virtude, especialmente sua paciência e entrega nas mãos de Deus.
Elisa querida, na paz de Deus, ajude-nos agora a viver fazendo o bem como você.
Um pequeno grupo de familiares rezava a seu lado as ave-marias aguardando o chamado para o céu. Na hora do Ângelus, Elisa Maria deixou esta terra. Segredei-lhe com amor: "Vai para Deus. O céu é belo, e ficará mais belo ainda quando você chegar".
Obrigado, Senhor.

Publicado em 04 de março de 2006 na Folha de São Paulo.