Tem semanas que são assim, começam muito tensas, com uma notícia bomba bem depois do almoço, logo na segunda. O seu emprego não existe mais.
Na terça, uma entrevista relâmpago, rever amigos queridos, saber que minhas noites não terão mais os camaradas mais malucos, inteligentes e gente boa do mundo.
Na quarta o telefone vira algema, vejo o Rafo e com ele passo boa parte da tarde apreciando as obras do Ipiranguinha. Fim da tarde a má notícia e a boa notícia.
Na quinta, começa a vivência com quase 30 anos e nunca trabalhei o dia inteiro, muito estranho, ainda bem que eu almocei com a Alê!
Sexta, dia de festa, vivência de novo, aniversário de Santo André, almoço com a Ju, fim de noite com o Beto até virar sábado
Sábado em casa correria danada, adiantando os TCCs e a sensação de que muitas coisas ficaram para trás.
Não é por nada não, mas mesmo que tarde e muito lentamente, parece que eu estou crescendo, mas antes, eu preciso assistir o Chaves domingo de manhã...
Eu comecei minha coleção de Príncipes com 7, mas assim como as princesas da Disney, os Príncipes Marotti podem ganhar um reforço conforme a evolução dos acontecimentos e, assim foi.
O oitavo príncipe é um Príncipe bem particular, por isso, não muito divulgado, embora a postagem dedicada a ele esteja entre as mais lidas, o que muito me orgulha. Agora, chega o nono príncipe.
A condição primordial para que um homem seja um Príncipe Marotti é necessário que o rapaz seja inteligente, bem educado (sim, isso vale para o Príncipe Bruto também), gentil, cavalheiro, inteligente e tenha algo único e especial que transpareça aos olhos de quem prestar atenção.
Então, para falar sobre o meu nono príncipe irei direto ao ponto, àquilo que ele tem de especial que é a sensibilidade. Veja, ser sensível é diferente de ser suscetível, o sensível é aquele que tem uma percepção aguçadíssima, que tem consciência de outro e de si próprio, ao passo que o suscetível é um egoísta, inflexível que só pensa em si próprio e se aborrece com qualquer coisinha. Enfim, a sensibilidade do meu nono Príncipe é visível em seus deliciosos textos.
O dom deste Príncipe, além da sensibilidade, é a facilidade com que ele toca a essência mais feminina até de mulheres duronas como eu, como já disse a ele em outra ocasião, ele consegue com suas palavras despertar a mulherzinha que tentamos sufocar, mas que insiste em não morrer. E, pelo número de pessoas que curtiram isso, ele produz esse efeito em todas, ou pelo menos nas pseudo-duronas.
É minha cara amiga, resumidamente, este é o Príncipe para você sentar e ver a maratona Brothers&Sisters todinha num domingo de chuva, comendo besteirinhas, chorando quando necessário, se encantando, comentando e o fim da história fica a cargo da imaginação de cada uma...
Quarta-feira é dia de futebol, os homens que gostam de futebol viram sabe-se lá Deus o que, gritando com o moço que joga, xingando a mãe do juiz e vibrando cada vez que a bolinha passa de um pé a outro.
Mas, quarta-feira também é dia de The Goodwife e Brothers&Sisters, nesse dia, eu sou mulherzinha, fico vidrada na televisão com a cabeça pendendo para o lado, torço pelo sucesso de Alicia Florirck , ainda sou seduzida por Peter Florrick (o eterno Mr. Big) e apesar de tudo quero que o casal se dê bem. Também suspiro com as cenas de amor e choro com os dramas da família Walker.
Em sendo assim é possível concluir que às quartas-feiras as essências afloram...
Eu amo a música, muitíssimo mais do que ela me ama. Ainda não consegui distinguir se amo a música porque sou muito auditiva ou se sou muito auditiva porque amo a música. Fato é que eu ouvi uma vez, chamou minha atenção, sinto uma necessidade indescritível de saber mais, saber tudo sobre. Foi assim com Juan Luis Guerra.
Quando eu ouvi Bachata Rosa, na trilha da novela De Corpo e Alma como tema da personagem da Daniela Perez (aquela filha da Glória Perez que foi assassinada brutalmente pelo seu colega de trabalho e a esposa dele) eu achei que aquela era a música mais linda do mundo. Na época não tinha internet, e o jeito foi esperar dias e dias ao lado do rádio até que eu conseguisse gravar na fita cassete. Meu pai até tentou que o Raul trouxesse uma fita dele para mim do Paraguai, mas não sei por que, essa fita nunca chegou.
Eu tinha um pouco de vergonha de gostar dessa música e desse artista, porque todas as minhas colegas de escola gostavam dos New Kids On The Block e eu os odiava muito. Com o passar do tempo, eu esqueci um pouco a minha paixão pelo Juan Luis, infelizmente a carreira dele não emplacou no Brasil, um pouco em função da morte da atriz que interpretava a personagem da música tema, um pouco em função da estratégia de marketing equivocada da gravadora e muito porque no nosso país as pessoas preferem cantar e ouvi em inglês.
O tempo passou, a Internet chegou e a Rede TV exibiu Pedro, o escamoso e na abertura, La Hormiguita! Tudo o que eu precisava para pesquisar e baixar algumas músicas dele e aquela paixão voltar com força total. Conheci o Andrés, aderi à banda larga e pude-me atualizar com a discografia quase completa (me faltam apenas 2) vídeos, músicas e encontrar no mundo todo gente que assim como eu ama Juan Luís Guerra.
Na qualidade de pretensa musicista, eu sei muito bem que ele tem muitas músicas porcaria, mas quando ele é genial, ele é GENIAL e justiça seja feita, não haveria genialidade sem "su 4.40" que abrilhanta com o coro, os metais impecáveis e a percussão precisa . Independente se porcaria ou não, eu amo esse artista que é um músico impecável, um homem extremamente coerente com os seus princípios. Como eu sempre digo qualidade se discute, gosto não e a mim me gusta.
Bem, caros leitores, aqui temos a participação especial de Mário Roberto, O Príncipe Bruto!
As opiniões emitidas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto embora eu concorde com quase tudo, menos com a forma com que ele se refere à Gal.
No idos anos 80, bem antes de sermos apresentados à cauda dinossáurica da Shakira, a Colômbia era reconhecida por ser país-sede de uma gigantesca organização, digamos, comercial: O Cartel de Medelín.
No auge dos negócios, o grupo chegou a controlar 80% da ditribuição de cocaína ao redor doplaneta.
Um cidadão chamado Pablo Emilio Escobar Gaviria era o chefe desta organização e, através de muito dinheiro “investido” nos afagos aos homens-da-lei, tornou-se Rei daquelas terras pré-Shakirianas.
Reza a lenda que os delatores do sistema imposto pelo cartel eram agraciados com um singelo castigo: Execução pelo método da gravata colombiana.
A “técnica” baseava-se em cortar a garganta do cidadão e puxar para fora a lígua de trapo do imbecil que ousara dedurar o esquema de Escobar. Asfixia na certa.
Enquanto Escobar deitava (mandava, cheirava, matava...) e rolava em Bogotá (não sei porque, mas esse nome sempre me lembra Boi-tá-tá...), a Terra Brasilis ainda estava anestesiada com o recente fim da ditadura, vivendo um híbrido sentimento de alívio e incerteza.
Ninguém sabia ao certo como Tancredo havia morrido, se havia morrido, ou se morreram com ele. Ninguém aguentava mais ouvir “70 Neles” (setenta neles, setenta neles, setenta neles, outra vez Brasil...) na voz afeminada do baianinho Gal Costa. E, para piorar, o long play “Xou da Xuxa” é lançado, alcançando em pouco tempo a marca de 2.622.977 cópias vendidas.
É bem ai, no meio dessa incerteza toda, onde não se sabe se a dita é DURA ou se a dita é MOLE, se a moça se chama Gal ou se é um Galo, e se a Xuxa realmente é um “xou”, que surge uma das canções mais intrigantes da música popular brasileira: “Ela é americana”.
Esta canção é simplesmente um emaranhado de exaltações e informações subversivas, todas cuidadosamente disfarçadas de romance, pieguice, lambada, e outras coisas cafonas.
O compositor é um camarada chamado Solano (a banda chamava-se Solano e seu Conjunto... pense!), ele é paraense e participava do movimento “guitarradas do Pará”. Dentre os expoentes da guitarrada está o GRANDE (e eu não estou brincando não, que o diga Hebert Vianna!) Chimbinha!
“Ela é americana” é uma pérola na arte de se fazer mensagem subliminar. Ninguém me tira da cabeça que no meio de toda turbulência política brasileira, somada às influências caribenhas na região norte, o danado do Solano fez uma puta de uma exaltação ao até então Rei da Colômbia.
Vejamos:
Ela é americana, da América do Sul;
Ela é americana, da América do Sul;
Eu amo uma americana, ela é bacana, linda pra chuchu;
Quando estou na pior, ela está na melhor, ela me dá tutu;
Com ela não tem cara feia, tudo é limpeza, tudo está legal;
Com ela não tem dedo duro, nada de furo, ela é genial;
Gosta de uma maluquice, mas de caretice, ela tem horror;
Gosto da americana, não me fale dela eu lhe peço por favor!
Tô gamado nela, vou me casar com ela;
Não tem deduração, vou fazer com ela uma transação!
Tô gamado nela, vou me casar com ela;
Não tem deduração, vou fazer com ela uma transação!
Agora, me diga: Onde, nos anos 80 (império americano em alta), iria-se encontrar uma mulher da américa do sul que fosse descolada, gostasse de maluquices, e tivesse “tutu” para bancar vagabundo? Mais ainda, por que ela seria “dedo-duro” e daria “furos”? Quem fez o quê, héin?! E, por fim, por que ele pede que não lhe falem dela? Por que falar de uma americana da américa do sul se somos todos “hermanos”?
Não quero dizer que o Solano tenha participado de alguma facção criminosa, ou algo do tipo. Longe disso. Agora, desprezar “Ela é americana” e não classificá-la como uma pérola da subversão, com direito à letra e melodia subliminares, fica difícil!
Esta canção foi um tapa na cara, ou, se preferir, foi uma gravata colombiana na empáfia dos pseudo-intelectuais brasileiros que só entendiam mesmo de pornoXUXADAS, coisas bem aonível “amor, estranho amor” e “Chica da Silva”... Coisas bem ao estilo do Arnaldo Jabor, um cara que eu sinceramente não entendo qual a função dele na mídia nacional. Ele é apenas um Nelson Rubens que sabe falar difícil. Só isso.
Talvez, se Solano aparecesse na TV de vez em quando, o nosso admirável gado novo tb o idolatrasse, assim como fazem com o Nelson, assim como fazem com o Arnaldo.
Assim como a fé é inexplicável aos que a possuem, a descrença também é. Não raro, as pessoas substituem Deus pela ciência e se apegam a ela com unhas e dentes, como se fosse uma verdade inconteste, nesse caso, não é uma descrença é apenas uma troca de paradigma. A descrença legítima é gêmea siamesa do ceticismo
Muitas das pessoas que não crêem, seja em Deus ou na onipotência da ciência, se pudessem creriam. Jorge Amado, célebre ateu, várias vezes declarou seu desejo de acreditar, mas ele não acreditava. Respeitava, admirava, cultuava e concebia a importância social do candomblé, mas não acreditava e era cético
Acreditar é um dom que se tem ou não, não é uma habilidade desenvolvida nem uma prova de ignorância ou superioridade. Acreditar é estar certo do improvável, explicar o impossível e ter uma certeza confortável diante das adversidades e das alegrias.
Não é agradável não crer, não é agradável duvidar, não é agradável ver o mundo, as pessoas e sua própria vida de cima do muro. Mas, eu vos asseguro: de cima do muro se vê o todo e se vê mais longe!